27 de junho de 2010

Bem-vindo à Vila dos Operários


Sinopse

Uma comunidade com mais de cem famílias, vive isolada na cidade de Araxá-MG. São os moradores do bairro Auto Paulista, localizado na Estância Hidromineral do Barreiro, a 5 Km da cidade. Foram os pais deles que há mais de meio século ajudaram a erguer os alicerces do Grande Hotel, concebido para ser um dos mais luxuosos do país.

Enquanto os turistas desfrutam da bela paisagem e se banham nas famosas águas termais de Araxá, o moradores vivem um conflito: a água que abastece o bairro está contaminada. A solução encontrada foi a desocupação do bairro.

Em Vila dos Operários os moradores contam suas histórias e revelam porque amam o Barreiro. São vidas permeadas pelo conflito de morar no local onde convergem as forças mais poderosas da cidade: o turismo e a mineração. Em meio a interesses políticos e econômicos, estão estes personagens que não querem abandonar suas raízes.


Texto: Marilia Cândido


Legenda da Imagem: Na horta de Marco Antônio Silva, morador e personagem do documentário (Foto: Diego Aragão)

26 de junho de 2010

Direção de Arte fiel à essência do filme

Uma das etapas de pós-produção responsável por cuidar da identidade visual do documentário é a Direção de Arte. Em Vila dos Operários, essa tarefa ficou à cargo de Léo Freitas, estudante de Publicidade e Propaganda, com experiência profissional em agências, gráficas e produtora de vídeo.

Léo criou um material para o documentário que tem como característica a leveza nas peças, que complementam o trabalho, ao invés de competir. Além disso, foi responsável pelo layout das ferramentas de comunicação: blog e twitter.

Segue o relato de Léo Freitas sobre sua criação:

“A criação da marca foi voltada para a vila, seguindo por um estilo moderno, pois apesar do desenvolvimento do documentário estar ligada a questões do passado em termos, foi passado de uma forma atual e moderna, foram usados novos recursos na captação e finalização do material.

Foi utilizada uma fonte moderna, sem serifa, para remeter essa atualidade do documentário sem perder a identidade e credibilidade que necessariamente o documentário tem que ter. A fonte original foi modificada em sua estrutura para melhor adaptação das palavras e das letras que compõe a marca 'Vila dos Operários'.

O símbolo (parede de tijolos) remete a ao fato central do documentário, que ilustra de uma forma estilizada. Foi usada uma perspectiva para dar sensação de movimento e assim mais harmonia com o conjunto tipografia e símbolo.

As cores usadas foram: branco (quando fundo escuro) e preto em 80% (quando em fundo claro). Assim elas proporcionam a imparcialidade, traduzida pelo conteúdo do documentário, tanto na questão tonal tanto na questão de contraste.

A marca em si mostra de uma forma limpa e moderna a imparcialidade do conteúdo do documentário.”

Peças

Marca



Variações da marca



Cartaz



Capa e Contra-capa do DVD



Interior do DVD




Twitter



Texto: Michelle Parron
Imagens: artes de Léo Freitas

7 de junho de 2010

Trilha de Vila dos Operários traz Taynara e Luiz Salgado

Marcelo Taynara e Luiz Salgado, dois grandes representantes da música de Minas Gerais, nos deram o prazer e a permissão de incluir na trilha sonora do documentário, canções alagadas de poesia, emoção e nostalgia.

O primeiro convite foi feito à Marcelo Taynara, músico de Conceição das Alagoas e querido amigo, que insere nas músicas que compõe, sons de animais, reflexões culturais e valorização da natureza, em um trabalho que demonstra toda a riqueza da música mineira.

No documentário Vila dos Operários buscamos as composições de Taynara que mais demonstrassem sensibilidade, como a faixa “Amazônica (No Canto da Mata)”, do álbum Pilão Marcado.

Taynara tem 3 cd’s (Sete Colinas, A Cor de Minas e Pilão Marcado) e acaba de lançar um novo trabalho que é “Pilão Marcado ao vivo”, no qual o artista faz um mergulho nas origens vividas na terra natal. Para conhecer mais o trabalho de Marcelo Taynara, acesse o MySpace.

Já Luiz Salgado, de Patos de Minas-MG, conheci por acaso. Foi através de seu DVD “Noite de Viola”, presente que ganhei de uma amigo cinegrafista que dirigiu o vídeo. Um tempo depois, vi uma apresentação de Salgado no Mercado Municipal de Uberaba, que serviu para que eu ficasse encantada.

O contador e violeiro, como ele mesmo se intitula, tem dois CD’s gravados: “Trem Bão” e “Sina de Cantado”. Para o documentário, utilizamos algumas músicas como a bela “Sina de Cantadô”, em que a letra nos ajuda a contar como é a infância no Barreiro.

Além de músico, Luiz Salgado é engajado em projetos sociais. Já fez oficinas de Cultura Popular em Escolas Públicas. Faz parte do projeto Periferarte, cujo objetivo é a descentralização da cultura para os bairros de Uberlândia. Conheça o trabalho de Luiz Salgado, acessando o MySpace.

Estamos satisfeitas em poder trilhar Vila dos Operários com o trabalho desses dois artistas da nossa região. Acredito que eles têm tudo a ver com a história que estamos documentando nesse trabalho.

Texto: Michelle Parron
Imagens: Divulgação

Decupando as entrevistas



Na hora de montar o roteiro final é muito importante que se passe antes pelo processo de decupagem das entrevistas. Transcrever tudo que foi falado pelo entrevistado na gravação é uma tarefa que demanda tempo e paciência, mas gera praticidade no momento em que se precisa localizar os pontos mais relevantes da fala.

No documentário Vila dos Operários essa tarefa foi dividida entre eu e Marília Cândido, que resultou em 16 entrevistas decupadas.

Texto: Michelle Parron
Imagem: Michelle Parron

Decupando todas as cenas gravadas


O que fazer para organizar horas e horas de imagens gravadas? Nessa etapa da produção do documentário é necessário que se organize o material para saber o que há de imagens e se falta alguma cena para captar. A isso damos o nome de decupagem.

Ainda no início de 2010, mesmo com as gravações em andamento, começamos a decupar as nossas imagens e separá-las de acordo com o assunto. Por exemplo: Entrevistas, Turistas, Bairro, Trabalhadores no entorno do Grande Hotel, Natureza, Internas e Externas do Grande Hotel e Barraquinhas. Assim, tivemos a exata noção do tipo de imagem que tínhamos e se precisariamos refazer algumas delas.

Para que eu e Marília tivessemos acesso ao documento onde as imagens estavam sendo decupadas e, ao mesmo tempo, poder alterá-lo, usamos o Google Docs, que é um serviço virtual em que você pode produzir planilhas, textos e etc, e compartilha-los com qualquer pessoa que tenha conta no Gmail.

Veja como ficou o arquivo clicando aqui!

Texto: Michelle Parron

5 de junho de 2010

Um pc e as possibilidades (e impossibilidades) da edição em HD


Desde que começamos a captar as imagens com a câmera Sony Handycam@ HDR XR500V, em outubro de 2009, sempre “encucamos” com a idéia de que o documentário deveria ser editado em HD (High-definition). Até então, não tinhamos muita noção do que era edição em alta definição e foi ai que os primeiros problemas começaram a aparecer.

Imagens em HD são extremamente pesadas e exigem muito de uma máquina. Depois de consultar alguns profissionais que já estão no mercado do vídeo há vários anos, chegamos ao consenso sobre o computador ideal (e comprável): Processador Core I5, com 1Terabyte de HD, 4 GB de memória RAM e a placa de vídeo Geforce GT220. Uma boa máquina até então.

Em dois dias de edição, a máquina pediu “arrego”, ficou lenta, travou diversas vezes e também desligou sozinha. Sintomas muito preocupantes que tiraram nosso sono. O jeito foi pedir socorro.

A ajuda veio de Marcelo Brito, diretor da Míra Produtora, de Uberaba-MG, e colecionador de 12 anos de experiência com vídeo. Durante o tempo que trabalhei com ele na Míra, na função de produtora, percebi o quanto ele sempre preocupou em estar antenado nas novidades da área audiovisual. Na produtora, Marcelo já colocou em prática a alta definição nos trabalhos que desenvolve . Portanto, soube como melhor nos orientar nessa situação.

“Editar em HD torna o processo mais lento, já que estamos trabalhando com uma taxa de bits muito alta para a máquina rodar. Já editar em SD (standard-definition) traz agilidade tanto para nós, que somos pequenos, quanto para os grandes estúdios no Brasil”, explica o diretor.

Mas nem tudo está perdido. Editar em SD não impede que seu filme seja finalizado em HD. Mas como isso é possível?

Marcelo explica que na fase de finalização é muito importante visualizar a imagem na sua qualidade total. E para que isso seja feito, é necessário, após finalizar a edição em SD, gerar um arquivo chamado EDL, que vai servir para substituir toda a edição por imagens em HD.

Fomos convencidos de que o melhor caminho seria a edição em SD por dois fatores: máquina sem capacidade e o curto prazo para entrega do documentário finalizado. E foi nesse momento que um outro projeto foi aberto no Premiere CS4, com o nome vilaopera0002 e a edição passou a ser feita em SD.

Claro que ainda está em nossos planos a possibilidade de finalizar em HD, pois temos imagens belíssimas e com cores muito vivas. Além disso, a tendência agora é produzir em alta qualidade, pois o resultado final é muito melhor.

Texto: Michelle Parron
Imagem: Marcelo Brito, diretor da Míra Produtora durante a gravação do comercial da Uniube (foto: Michelle Parron)

4 de junho de 2010

Que se aperte o play!


Um roteiro na mão, sonoras e offs bem definidos e mais de 12 horas de imagens disponíveis para a montagem de um quebra-cabeças chamado edição. Estávamos realmente aflitas para a chegada desse momento, que é decisivo para a qualidade do trabalho final. Na hora de contar uma história, o roteiro é fundamental, mas se a edição deixar a desejar, pode tirar o brilho de um trabalho de meses de duração.

Desde o segundo semestre de 2009, o convite para assumir a tarefa de montar essa história havia sido feito a Vinícius Ribeiro. O editor e estudante de Publicidade e Propaganda, aceitou na hora, mas tinha consciência do desafio que viria pela frente.

Com experiência na área de vídeo, Vinícius sempre teve feeling para o Jornalismo e já tem um belo trabalho no curriculum, que é a edição do documentário 13 de maio, com direção do jornalista e amigo Tobias Ferraz.

No dia 24 de maio de 2010, o projeto do Vila dos Operários foi aberto no programa Adobe Premiere CS4 com o nome de vilaopera0001. Dois dias depois, se tornaria vilaopera0002., devido aos primeiros problemas que apareceram. Saiba porque aqui.
Legenda da imagem: Vinícius Ribeiro editando o documentário Vila dos Operários (foto: Michelle Parron)

2 de junho de 2010

Câmera e dias em ação!


Vila dos Operários é um documentário em que a história se desenrolou junto com o nosso cronograma de captação. Isso porque, quando chegamos ao bairro do Barreiro para conversar com os moradores, não demorou muito para que a desocupação das casas começasse a acontecer. Isso fez com que gravássemos em ritmo intenso, ainda no segundo semestre de 2009, para mostrar cada momento vivido pelos morados.

Para nos ajudar na gravação, convidamos Diego Aragão, estudante de Publicidade e Propaganda e cinegrafista completamente apaixonado por cinema. Diego trabalha com vídeo há cerca de 6 anos e sua tarefa em Vila dos Operários era captar, com sensibilidade, belos enquadramentos e cores. E foi o que ele fez.

Começamos o trabalho em 12 de outubro de 2009, gravando com uma câmera MiniDV da Panasonic, enquanto a Sony Handycam@ não chegava pelo correio. E na casa da Ana, moradora do Barreiro, registramos imagens do dia das crianças, que reúne filhos de vários moradores do bairro para uma confraternização com direito a lanche, doces e presentes. Tudo fruto de doações.

A partir do dia 1 de novembro, as gravações passaram a ser feitas em HD. De lá pra cá, Eu e Diego Aragão revezamos o comando da câmera, enquanto Marília Cândido assumia as entrevistas. Esse trabalho resultou em 6 meses de captação, com cerca de 15 horas de duração, que incluem 26 entrevistas e muitas imagens do local. Veja como foram divididos os dias de gravações, a quantidade de horas gravadas e os cinegrafistas responsáveis:

2009
Outubro
2/10/2009 – Diego Aragão (MiniDV Panasonic)

Novembro
01/11/2009 - 0:52:52 - Michelle Parron
02/11/2009 - 1:47:15 - Michelle Parron
20/11/2009 - 0:34:33 - Diego Aragão
21/11/2009 - 2:36:48 - Diego Aragão
22/11/2009 - 2:00:48 - Diego Aragão

2010
Janeiro
09/01/2010 - 0:59:06 - Michelle Parron
10/01/2010 - 1:08:39 - Michelle Parron
17/01/2010 - 1:11:30 - Michelle Parron

Fevereiro
14/02/2010 - 0:58:22 - Léo Freitas e Michelle Parron
20/02/2010 - 1:43:08 - Michelle Parron

Abril
17/04/2010 - 0:38:00 - Michelle Parron
18/04/2010 - 1:41:08 - Michelle Parron

Maio
15/05/2010 - 0:55:01 - Diego Aragão e Michelle Parron
16/05/2010 - 1:47:10 - Diego Aragão

Total de horas gravadas - 15:02:20

Texto: Michelle Parron
Imagem: Cinegrafista Diego Aragão (foto: Marcelo Brito)

1 de junho de 2010

A escolha da câmera ideal


Como o documentário Vila dos Operários seria gravado em Araxá-MG, município há cerca de 115km de Uberaba-MG, foi necessário que criássemos maior independência dos materiais oferecidos pela Uniube. E por dois motivos: primeiro porque é norma da universidade o equipamento não poder sair de Uberaba, e segundo porque nossas gravações seriam feitas aos finais de semana, e a Uniube fecha durante esses dias, impossibilitando o uso de qualquer material.

Pois bem, a primeira coisa que precisávamos para começar a gravar era uma câmera. Mas qual? Pesquisa em sites e dicas de cinegrafistas foram fundamentais nessa época. E quem mais ajudou a encontrar uma câmera bacana, fácil de usar e que oferecesse boas imagens foi Carlos Finocchio, editor e cinegrafista formado em Rádio e TV na Faap, em São Paulo, e um querido amigo.

A dica dele foi a linha Handycam@ da marca Sony que grava em HD. O modelo escolhido foi a HDR XR500V com 120G, adquirida através do site (super confiável) da loja B&H photo e vídeo.

Os primeiros contatos com a câmera já trouxeram resultados surpreendentes. Ótimas imagens, mesmos se tratando de uma câmera, aos olhos de muitos, amadora, já que possui um tamanho bem pequeno. E nesse caso tamanho não é documento mesmo!

Outras coisas bacanas da câmera é que ela faz fotografias em 12 megapixels enquanto você grava vídeo, tem a tecnologia de amenizar a instabilidade que uma câmera na mão causa na imagem e a opção night vision, que grava cenas em total escuridão.

Texto: Michelle Parron
Imagem: Câmera Sony Handycam@ HDRXR 500v (foto: divulgação)